Conjuntivite é o mal da vez, mas nos postos também tem gente com a famosa gripe

Como já de costume, a grande aglomeração de pessoas durante os sete dias de Carnaval causou um aumento no número de casos de doenças virais ou bacterianas em Salvador. É em espaços assim que a conjuntivite, a doença da vez, se espalha.

O oftalmologista e conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) Antônio Motta explicou ao CORREIO que a conjuntivite é transferida no contato direto entre uma pessoa infectada por bactéria ou vírus e outra pessoa. O que é muito simples de acontecer durante o Carnaval.

“Ela age através da proliferação de bactéria ou vírus numa área que normalmente não tá acostumada com esse agente infeccioso. Quando cai no olho, se prolifera e isso faz com que o corpo monte uma defesa contra isso. Essa resposta inflamatória é a conjuntivite”, descreve o oftalmologista.

Para quem conseguiu passar o Carnaval ileso da inflamação, Antônio Motta afirma que existem meios de se proteger da doença. “Primeiro: sempre lavar as mãos, porque a contaminação do olho vem pela mão. A segunda coisa é nunca coçar os olhos. Seguindo essas recomendações, dificilmente você vai pegar conjuntivite”, esclaresce Antônio.

Entre os sintomas estão a vermelhidão nos olhos, pálpetras inchadas, olhos lacrimejantes, secreção, coceira, fotofobia, em alguns casos visão borrada e pálpebras grudadas no momento em que a pessoa acorda. Quem apresentar esses sintomas deve procurar um médico e evitar a automedicação.

Mas se engana quem pensa que só a conjuntivite vem perturbando os foliões depois do Carnaval deste ano. O infectologista Robson Reis explica que as situações nas quais as pessoas se colocam durante a festa facilitam a propagação de doenças virais ou bacterianas.

“As pessoas fazem atividade física em excesso, se alimentam mal, modificam a dieta do dia, não dormem direito, não se hidratam bem, além de acabar muitas vezes compartilhando objetos pessoais”, explica.

Ele diz que doenças respiratórias causadas por vírus, como otite, amidalite e faringite são muito comuns em eventos de grande aglomeração de pessoas, como o Carnaval. “Quem tá doente tem que se preocupar em fazer com que a doença não se propague pra outras pessoas. O doente pode tossir na dobra do cotovelo, evitar manipular maçaneta e telefone e utilizar lenços descartáveis. Para quem quer se proteger, é importante que sempre higienize as mãos com sabão ou álcool gel, preferir ambientes abertos, dormir bem, se alimentar bem e, claro, evitar levar as mãos à boca”, afirma.

Segundo Robson, é muito importante ficar atento aos sintomas em crianças menores de 2 anos e idosos, “além de pessoas que tenham falta de ar, febre alta ou vômitos que não passam com medicação habitual. Essas pessoas devem procurar o serviço de saúde”, completa.

O taxista Luis Erlan pegou um resfriado e acredita que foi por ter transportado mais de 100 passageiros na folia (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

 

O taxista Luis Erlan Ribeiro, 56, foi ontem mesmo procurar atendimento médico. Ele acredita que pegou um resfriado depois de ter transportado mais de 100 passageiros. “Eu não vi ninguém resfriado, não. Também, se visse, mandava descer do meu carro na hora, mas só pode ter sido assim: tendo contato com muita gente todos os dias”, acredita o taxista que não vai precisar do atestado médico, já que trabalha por conta própria. O prejuízo de um dia de repouso, porém, pode chegar a R$ 300.

“É dor no peito, tosse, corpo todo mole. Uma gripe dessa eu só tive há seis anos  também nesse mesmo período”, disse antes de ser consultado na UPA de Brotas.

Saiba mais sobre a conjuntivite:

  • Dois olhos – A conjuntivite geralmente compromete os dois olhos, não necessariamente ao mesmo tempo

  • Contágio – O contágio pode ser pelo contato direto com a pessoa doente ou objetos contaminados. Ela ocorre com maior facilidade em ambientes fechados como escolas, creches e ônibus

  • Concentração – Ambientes com muitas pessoas, tais como festas populares, favorecem a propagação da conjuntivite

  • Viral – A conjuntivite viral é altamente contagiosa, frequente no Verão e, apesar de não ser grave, provoca muito incômodo e cuidados devem ser tomados para evitar surto

 

Fonte: Correio*

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