Coração acelerado, pernas tremendo, mãos suando, respiração difícil e dor no peito. Esses sintomas podem descrever uma patologia cardíaca ou uma crise de pânico. Em tempos de aumento da ansiedade em função da pandemia e suas consequências, fica ainda mais difícil separar o que pode ser um sintoma de pânico, de doença cardíaca, ou até mesmo um sinal de agravamento do próprio Coronavírus. Avaliar esses quadros em conjunto com o histórico e perfil do paciente é o primeiro passo para conseguir dar a encaminhamento mais correto para o problema.

De acordo com o cardiologista e clínico geral da Holiste Psiquiatria, Daniel Muricy, o primeiro ponto é analisar a pessoa que apresenta os sintomas. “Se for um paciente jovem, sem fatores de risco e que nunca teve patologia cardíaca, a possibilidade ele estar tendo uma crise de pânico é maior. Se a pessoa, ao contrário, faz parte de grupos de risco, já tem histórico de problemas cardíacos ou diabetes, mais de 50 anos, ela deve procurar atendimento de emergência em caso de sintomas como dor no peito, falta de ar e taquicardia”, aponta Daniel.

A psiquiatra da Holiste Paula Dione aponta que, se há certeza de que o problema se trata de um quadro de pânico, ou seja, a pessoa já tem histórico do transtorno, o ideal é buscar uma emergência psiquiátrica.

“Se não se tem certeza, porém, o mais indicado é a emergência geral ou cardiológica, pois será necessário investigar possíveis causas físicas”, orienta.

Paula explica que o ataque de pânico é um evento em que o indivíduo sente uma reação cognitiva e/ou fisiológica a uma ameaça que ele detecta, sendo que essa ameaça pode ser real ou fantasiosa. Além disso, pelo menos quatro sintomas entre os descritos pelos manuais de psiquiatria devem estar presentes para a confirmação do diagnóstico de Síndrome de Pânico: taquicardia, sudorese, tremores, falta de ar, sensação de engasgo, dor ou opressão torácica, tonturas, sensação de perder o controle, medo de morrer, formigamento e calafrios.

“O pânico é um subtipo de ansiedade. É uma resposta do indivíduo a uma ameaça, seja ela real ou não. Pode, por exemplo, ser uma resposta a um pensamento, uma preocupação. É por isso que, neste momento de isolamento social e incertezas, além de estresse ocasionado pelo medo da doença, é importante estar atento a alguns fatores, como não ficar o tempo todo pensando nos problemas, se informar, mas também tirar o foco um pouco das notícias, e buscar atividades diversas e positivas, como leitura, filmes, atividade física, além de manter contato com amigos e familiares”, aponta a médica.

DIFERENÇAS

A falta de ar é um sintoma muito recorrente em crises de pânico. Ela também é um dos indicativos de que a pessoa pode estar com a forma mais grave do Coronavírus, mas Daniel Muricy alerta que os casos de Covid-19 vêm associados a outros sintomas.

“Se a pessoa não apresenta febre nem tosse seca, a falta de ar possivelmente é associada a outro motivo, e um deles pode ser ansiedade ou pânico. Se a pessoa já sofre de sintomas ansiosos em situações de estresse, a possibilidade de uma crise de ansiedade é grande. É preciso ficar atento aos sintomas e seguir as orientações dos órgãos de saúde. Uma dica é: ao sentir falta de ar, buscar um ambiente tranquilo e tentar prender a respiração por dez segundos. Se ela consegue fazer isso, possivelmente se trata de um quadro de ansiedade. Para quem deseja ficar mais tranquilo, existe um aparelho, o oxímetro de pulso, que mede a saturação de oxigênio no sangue. Em uma pessoa jovem se estiver abaixo de 94, é indicativo de falta oxigênio. Nos idosos, este ponto de corte é abaixo de 92”, comenta o cardiologista.

SÍNDROME DO PÂNICO

De acordo com Paula Dione, qualquer pessoa, em diferentes situações, pode ter uma crise de pânico. A Síndrome do Pânico, porém, será diagnosticada por uma avaliação individual do paciente, mas um dos fatores que a indica é a preocupação regular com as crises – se acontecer de novo, quando, como será – e a repetição e duração delas. O medo da morte ou de perder o controle (enlouquecer) é comum durante as crises.

O tratamento depende de cada caso, mas pode envolver medicações que são indicadas para a redução imediata da crise, apenas para o controle dos sintomas, e/ou remédios que vão atuar na prevenção de novas crises e da ansiedade.

“A psicoterapia também é indicada e pode ser o único tratamento ou acompanhada do tratamento medicamentoso. Ela é muito importante para que o paciente saiba identificar gatilhos e, dessa forma, evitá-los.”, aponta a psiquiatra.

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