O guarda municipal Cícero Hilário que realizou a abordagem do desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo Eduardo Siqueira relatou ao G1 que está se sentindo humilhado depois de ter sido chamado de analfabeto pelo magistrado.

Na tarde do sábado (18), Cícero estava realizando uma fiscalização na companhia de um colega quando pediu para que o desembargador usasse uma máscara. Após se recusar a cumprir com um decreto municipal de Santos, que exige o uso da proteção nas ruas da cidade, o magistrado tentou usar de influência política para coagir o servidor municipal.

Nas imagens gravadas pelo colega de Cícero, é possível ver o momento que, após ser abordado, Siqueira se irrita com a multa e chama o servidor de “guardinha” e “analfabeto”. O ministro Humberto Martins, da Corregedoria Nacional de Justiça, determinou a abertura de pedido de providências para apurar a conduta do desembargador

“O pior foi ser chamado de analfabeto, quando ele perguntou se eu sabia ler e quando disse que jogaria a autuação na minha cara. A gente não espera uma atitude dessa de um senhor com a formação que ele tem. Estávamos fazendo nosso trabalho pelo bem da população. Acho que usar máscara nessa situação que vivemos é uma demonstração de amor ao próximo”, relatou Cícero ao site.

Segundo ele, os filhos ficaram chateados com o vídeo da abordagem e perguntaram por qual motivo o pai foi tratado daquela forma. 

“Se ele me pedisse desculpas hoje, eu não aceitaria, porque acho que não seria sincera e sim pela repercussão que teve o vídeo. Estou desde ontem sem dormir, fiquei chateado, mas me sinto orgulhoso por ter cumprido o meu papel. Não aceito desculpas”, completou.

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