Nesta terça-feira (19.12), técnicos do Departamento de Cultura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) fazem sua última visita de fiscalização à Igreja de Sant’Ana, em Salvador, encerrando uma longa parceria de sucesso. Há dez anos, o banco acatou o projeto de restauro e reforma da igreja, investindo na reconstrução de um dos principais acervos sacros da Bahia. O projeto teve apoio da empresa baianaGlobal Participações em Energia-, que participou da última etapa dos trabalhos de restauração com 10% do valor total previsto e a participação da comunidade, que conseguiu angariar R$ 1 milhão para a obra. A inspeção vai acontecer entre as 9h e 12h.

Segundo o coordenador do projeto, padre Abel Pinheiro, a reconstrução da igreja foi uma conquista de todos, e mostra a importância da união da esfera pública, privada e civil. “Não poderíamos ficar de olhos fechados para o que estava acontecendo com Sant´Ana. Esta casa de Deus tem quase trezentos anos, e agora esta de pé, para jubilo geral”, disse ele. Padre Abel lembra que o projeto foi destaque no BNDES pela sua importância, beleza, seriedade, ética e transparência na sua condução.

A visita dos técnicos coincide com a entrega da última das 30 peças restauradas: a antiga imagem de Sant´Ana Mestra acompanhada da Nossa Senhora Menina. A bela imagem barroca, de origem portuguesa, contemporânea da inauguração do templo (1754), mede 1,30 x 1,30 x 0,90 m e foi, provavelmente, encomendada em Portugal. Trata-se de uma imagem única, sem similar em qualquer parte do Brasil e provavelmente também da Europa, segundo o restaurador José Dirson Argolo. Normalmente, ensina ele, Sant´Ana apresenta-se com três variantes iconográficas: Sant´Ana Mestra, Santana Passeando – ou Sant´Ana Guia, a que se encontra no altar-mor e Sant´Ana Mãe, quando aparece com Maria já adulta e o Menino Jesus.

A imponente imagem fora restaurada nos séculos XIX ou no início do XX, quando, infelizmente, afirma o restaurador, teve recoberta toda a sua policromia original. Para resgatar a cor, foi necessário mais de um ano de trabalho, consumido na remoção, com produtos químicos e bisturis cirúrgicos, das duas camadas espessas de tinta aplicadas na época da antiga restauração, as quais adulteraram suas formas anatômicas e, principalmente, sua aparência estética. A última pintura a qual os devotos atuais ainda conheciam, tinha aspecto grosseiro, florões e padrões de má qualidade, apesar de vistosa. “A policromia original revelou uma pintura delicada, de ornatos florais estilizados, bem concebidos. Chama a atenção a delicadeza da carnação, tanto de Sant´Ana quanto de Maria Menina, que exibem semblantes extremamente suaves, que as cores pesadas das repinturas escondiam. Quando da remoção das repinturas, a imagem revelou estar muito atacada por cupins (massas e gesso encobriam os defeitos da madeira”, disse José Dirson Argolo.

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