O diretor administrativo do Hospital Municipal de Mata de São João, Luiz Câmera, foi à Polícia Civil da cidade na última segunda-feira (13), para prestar queixas contra a autora de uma notícia falsa, sobre um suposto internamento por COVID-19.  A acusada, que foi intimada para prestar esclarecimentos sobre o fato, produziu e divulgou um áudio pelo WhatsApp no início desta semana, relatando um caso falso de um paciente infectado pelo vírus, que estaria internado em estado grave na unidade hospitalar.

Mata de São João não tem nenhum caso de contaminação por Coronvírus notificado até o memento. Mas, na ‘fake nwes’, a mulher diz que “uma enfermeira que mora em Salvador” relatou que uma mulher estaria internada em estado grave e que precisava ser transferida urgentemente, para não contaminar a cidade inteira. A autora do áudio disse ainda que a Prefeitura estaria “abafando” o caso.

De acordo com o boletim oficial diário da Prefeitura de Mata de São João divulgado na tarde de hoje, o município tem 85 casos suspeitos, 39 descartados e 46 em monitoramento. Além de fortalecer e preparar todo o sistema de saúde para uma possível pandemia, a Prefeitura Municipal adotou uma série de medidas para proteger a população, como a promoção de isolamentos sociais e ajudas, inclusive econômicas, à população mais carente.

Irresponsabilidade – Indignado com as informações falsas, Luiz Câmera alertou que esse tipo de comportamento, de espalhar notícias inverídicas dessa natureza em um momento tão crítico de saúde pública, é um desserviços à população. “Não sei se por ignorância ou se por maldade mesmo, mas muita gente acha que internet é terra de ninguém e que pode falar o que acha sem pensar nas consequências”, lamenta.

“É preciso ter muita responsabilidade com o que se publica, pois há um certo alcance de pessoas. E neste caso as conseqüências da imprudência atrapalham os serviços da saúde pública, criam pânico na população e atingem as saúdes física e psicológica das pessoas”, comenta o gestor do Hospital Municipal Doutor Eurico Goulart de Freitas.

Estado faz a gestão das informações – O diretor Médico da unidade hospitalar de Mata de São João, Gustavo Guimarães, explica que não há possibilidade e nem motivo algum para uma rede de saúde de qualquer município do Brasil esconder casos de contaminação do COVID-19. “Primeiro porque todos os exames são feitos pelos laboratórios centrais das secretarias estaduais de saúde. Elas que têm a responsabilidade sobre a divulgação e a gestão estatística das informações sobre doença. Segundo porque esconder, maquiar dados, é prejudicial às nossas próprias ações de prevenção e combate à uma possível epidemia”, afirma.

O médico disse ainda não querer acreditar em má fé. Segundo ele, a autora do ‘fake news’ pode ter tirado conclusões equivocadas e se impressionado com a quantidade de profissionais que passaram a se preocupar mais com o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) no hospital. “Há uma movimentação intensa também, com as ações de preparação de toda a estrutura e dos profissionais, para enfrentar um dos maiores problema de saúde comunitária que podemos ter. Isso tudo pode ter influenciado a percepção dela”, acredita Gustavo Guimarães.

Outros pacientes – Além da preparação para enfrentar um possível surto de Coronavírus, o Hospital Municipal e toda a Rede de Saúde de Mata de São João têm as demandas de pacientes com outras doenças para cuidar. Muitos procedimentos eletivos (não urgentes) estão suspensos. Mas a todo instantes a emergência recebe pacientes com problemas como infarto, AVC, traumas, pneumonia, entre outras. Na semana passada, por exemplo, uma pessoa foi diagnosticada com tuberculose por infecção bacteriana, doença com sintomas parecidos com o COVID-19.

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