Isac Silva da Conceição, de 26 anos, foi criado em uma família evangélica. Muito religiosa, a família não faltava aos cultos na Igreja Universal do Reino de Deus. Até que o pai de Isac acabou por se separar da mãe do rapaz para viver com a travesti com quem se relacionou.

A raiva que motivou Isac a agredir fisicamente travestis e transexuais, na Pituba, em Salvador, tem origem nessa passagem da vida dele. É o que revelam as investigações desenvolvidas pela delegada Maria Selma Lima, titular da 16ª DT (Pituba).

“Ele ficou com ódio porque o pai largou a mãe para ficar com a travesti. Ele contou essa história dentro da igreja. Todo mundo que o conhece sabe disso”, afirmou a titular da 16ª DT.

Isac foi preso na noite de quarta-feira, 14, por policiais da 13ª CIPM (Pituba), quando pretendia sair de moto do Edifício Granada, na rua Espírito Santo, na Pituba, onde reside.

Janela do quarto

Na madrugada desta quinta, o pedido de prisão preventiva contra Isac foi decretado pela Justiça. “Recebemos uma denúncia anônima de que ele residia naquele local e, quando chegamos lá, ele havia acabado de descer do prédio e se preparava para sair em uma motoclicleta. O veículo foi o mesmo utilizado por ele para fugir após  agredir as travestis”, afirmou o major Elbert Vinhático, comandante da 13ª CIPM.

Segundo o major, Isac não resistiu à prisão, mas negou a todo instante ter agredido as transexuais. As agressões foram cometidas durante o mês de fevereiro e início deste mês na rua Minas Gerais, próxima à rua Espírito Santo, onde Isac reside. Conforme a polícia, ele escolhia as vítimas pela janela do seu quarto.

Revoltado com vítimas

Em depoimento na 16ª DT, Isac negou novamente ser o autor das agressões. No entanto, contou que ficava da janela observando o movimento das meninas e disse ainda que, muitas vezes, ficava revoltado ao vê-las agredir e roubar os clientes.

“Suspeitamos que as agressões foram cometidas com um chuncho [faca artesanal]. Todas as vítimas tiveram ferimentos no rosto”, afirmou a delegada.

Até o início da tarde desta quinta, a delegada sabia da existência de seis vítimas, mas só duas registraram Boletim de Ocorrência na 16ª DT. Ambas reconheceram Isaco como autor do crime.

 

A Tarde

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