Pelo reajuste de 2,7% no salário, somando os custos pela renovação da carteira nacional de habilitação (CNH), que será financiada pelos patrões, por meio de um parcelamento de 10 vezes sem juros, o Sindicato dos Rodoviários Intermunicipais na Bahia (Sindinter) fez acordo com sindicato patronal, não entrará mais em greve e encerrará a campanha salarial 2018-2019.

O acordo, mediado pela Superintendência Regional do Trabalho e Ministério Público do Trabalho, entre o Sindinter e a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Rodoviário do Estado da Bahia (Abemtro), que representa os empresários do transporte intermunicipal, foi fechado na noite desta terça-feira, 22.

No caso dos rodoviários de Salvador, antes da assembleia realizada no Ginásio dos Bancários, localizado na Ladeira dos Aflitos, a categoria e empresários estiveram reunidos, pela manhã, numa tentativa de mediação promovida pela SRT e MPT. No entanto, a mediação foi cancelada porque o sindicato patronal não apresentou proposta.

“Não veio à mesa uma proposta. Portanto, encerramos a mediação. Para a cidade de Salvador, a mediação foi frustrada porque o patronal não apresentou um índice de reajuste ou de recomposição salarial, sendo esta uma cláusula fundamental para avançarmos”, disse a superintendente regional do trabalho Gerta Schultz.

Segundo ela, os trabalhadores foram “quase compelidos” nesse momento a chegar a uma greve diante da ausência de proposta.

“Apesar das várias rodadas de negociação, o setor patronal não trouxe sequer a recomposição da inflação”, acrescentou a procuradora do Ministério Público do Trabalho Séfora Char.

Presidente do Sindicato dos Rodoviários, o vereador Hélio Ferreira, contou que houve flexibilização das reivindicações: reduziram o pedido de aumento salarial de 6% para 3%, o tíquete de 10% para 5% e a ajuda de custo na renovação da CNH para 50% de cada. “Chegamos ao limite máximo que não podemos reduzir mais”, destacou.

Assessor de relações sindicais da Integra, Jorge Castro afirmou que os empresários não podem acatar os pedidos. “A decisão é que eu não posso fazer o que eles estão pedindo”, disse. Antes da assembleia dos rodoviários, ele havia dito ao A TARDE que as empresas operam “com prejuízo”.

Segundo Castro, com base em dados de 2017, o faturamento mensal das empresas de ônibus foi de R$ 77 milhões. Já o custo mensal foi de R$ 87 milhões, o que gerou um déficit mensal de R$ 10 milhões. Um processo tramita na Justiça onde as empresas pedem que o sistema de transporte público por ônibus seja reequilibrado.

A prefeitura informou ainda que, durante conversas com empresários, duas propostas apresentadas por eles foram rejeitadas: um novo aumento da tarifa de ônibus e a supressão de 70 linhas, o que poderia significar quase a retirada de mais de 200 ônibus de circulação.

 

A Tarde

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