Aprovada pela prefeitura no primeiro ano como palco do Réveillon de Salvador, a Arena Daniela Mercury, área demarcada pelo próprio município na Boca do Rio, ao lado do Parque dos Ventos e do antigo Aeroclube Plaza Show, está sendo cobiçada por empresários do setor carnavalesco para receber uma folia fora de época.

A informação foi divulgada nesta terça-feira, 2, pelo prefeito ACM Neto, que convocou uma coletiva de imprensa no primeiro dia após o Festival Virada Salvador para fazer um balanço dos cinco dias de festa.

Sem dar maiores detalhes sobre o assunto, ele contou a jornalistas, na ocasião, que já foi procurado por gestores após o sucesso do evento de passagem do ano – o que, na avaliação do prefeito, significa que a arena foi avalizada como espaço adequado para receber grandes eventos na capital baiana.

“Será um espaço que pode ser aproveitado para [auxiliar na] arrecadação da prefeitura ou pode ser concedido à iniciativa privada. Eu tenho sido procurado por empresários e esse é um ganho para a cidade, um legado que vai muito além dos cinco dias de festa”, disse.

Apesar de evitar se aprofundar no projeto, o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, entregou que a festa, pensada por empresários ligados ao setor do Carnaval para acontecer na Boca do Rio, seria realizada em um final de semana do mês de outubro – período que, explicou ele à reportagem de A TARDE, é considerado “muito importante” para o trade turístico.

Iniciativa privada

“É um período ali próximo do dia 12 de outubro, que no sudeste é conhecido como ‘semana do saco cheio’, onde existe um fluxo de pessoas que viajam pelo Brasil, como se fosse uma miniférias”, esmiuçou o gestor municipal, contando que o objetivo é aproveitar a festa para atrair visitantes. “A ideia surgiu antes da requalificação [feita na Boca do Rio] para o Réveillon, mas é bem possível que agora ela volte a ser apresentada, mais estruturada. E será muito bem-vinda, principalmente se houver recursos da iniciativa privada que ajudem a fazer a festa”, afirmou Edington.

Segundo ele, a prefeitura, que aprova o projeto, gastaria apenas com disponibilização dos serviços públicos. “Um projeto como esse precisa de recurso. A prefeitura gostou muito da ideia, mas ficou aguardando os empresários mobilizarem a iniciativa privada, que bancará tudo”, garante o gestor da Saltur.

O espaço poderá ser aproveitado para auxiliar na arrecadação

ACM Neto, prefeito

Diretor e um dos fundadores da Central do Carnaval, o empresário Joaquim Nery confirmou à reportagem o interesse em usar a região da Boca do Rio para promover, antes do período do verão soteropolitano, o que ele chamou de “uma micareta de Salvador”.

Trabalhada há seis anos pelo setor, conforme estimativa feita por ele, a ideia é utilizar também as vias públicas para a festa, em um circuito entre o antigo Aeroclube e o Jardim de Alah. “É uma oportunidade de criar um calendário a mais para Salvador”, avaliou Nery, ressaltando, porém, que a realização do projeto dependeria da garantia de estrutura e serviços pelos órgãos públicos.

Balanço

Na passagem de 2017 para 2018, detalhou o presidente da Saltur, foram gastos aproximadamente R$ 12 milhões, sendo 60% de recursos da iniciativa privada e os 40% restantes dos cofres do município. Além da cervejaria Ambev, que já patrocinava outros eventos municipais, também entrou na festa, este ano, a Caixa Econômica Federal (CEF).

Nos cinco dias, segundo estimativa da prefeitura, cerca de 2 milhões de pessoas passaram pela Arena Daniela Mercury e outras 10 milhões acompanharam os shows pelas redes sociais.

Quem foi ao local reclamou que o palco bloqueou a visão na hora da queima de fogos, sendo visto apenas por quem estava na praia. Até a cantora Ivete Sangalo, que interrompeu o show para fazer a contagem na hora da virada, comentou que do palco não era possível avistar o show pirotécnico.

No balanço, a prefeitura não divulgou o volume arrecadado com a comercialização de ingressos para os camarotes. Passaportes que davam direito a dois ou mais dias de evento iam de R$ 260 a R$ 1.330. O espaço foi explorado pela iniciativa privada. Ao todo, foram vendidas 6.171 cartelas de estacionamento. Já o fluxo de veículos no entorno foi de 80.604 veículos. Via transporte público (ônibus, táxi e mototáxi), 1 milhão de pessoas foram transportadas, segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade. Já a Guarda Municipal registrou 44 ocorrências – um aumento de 175% em relação ao anterior, quando houve 16.

 

Fonte – A Tarde

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